IMPEÇA, não IMPESSA

impedirEm português, o tempo presente do subjuntivo é formado a partir da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Isto vale para quase todos os verbos, mesmo irregulares (com exceção dos verbos que não possuem aquela forma verbal).

O verbo IMPEDIR é irregular: temos aí um /s/ representado por Ç. Sua forma na 1ª pessoa do presente do indicativo é IMPEÇO, por isso todas as formas do presente do subjuntivo de IMPEDIR também são grafadas com Ç, pois são derivadas daquela:

Impeça, impeças, impeça, impeçamos, impeçais, impeçam.

Talvez a Abril tenha dispensado o revisor por engano, numa leva de demitidos; sugiro recontratá-lo.

Santarém, PA, 25/4/2016.

Anúncios

De verbis linguae lusitanorum

Era o orgulho da família. Como falava bem a língua dos gringos! Que fluência! Dava gosto de ver quando “enrolava a língua” com os estrangeiros.

Sim, tinha valido a pena apertar o orçamento para pagar todos aqueles semestres de cursos na escola de ______*, complementados por horas e horas de filmes e muita música!

Os tropeços vinham apenas na hora de conjugar os verbos… do português.

Afinal de contas, por que uma língua precisa de um tempo verbal estúpido como o futuro do subjuntivo?


* Acrescente-se aqui o nome de qualquer língua (mas geralmente se trata do inglês, é claro – ou of course).

Santarém, PA, 11/2/2016.

Pílulas de inglês

Não se deixe influenciar por propagandas enganosas de escolas de inglês ou outros idiomas: se você está lendo isto e não fala outra língua além do português, você até poderá aprender outras línguas, mas não aprenderá nenhuma delas da mesma forma por que aprendeu o português.

Por quê?

Porque, quando somos expostos, após o nascimento, à língua materna (no nosso caso, o português), desenvolvemos também, concomitantemente, a linguagem e formamos nosso aparelho fonador (o conjunto de órgãos envolvidos na fala, incluindo-se o cérebro, obviamente).

A linguagem é uma faculdade inata do ser humano, mas não se desenvolve (ou não é adquirida) sem que a criança esteja exposta a uma ou mais línguas, pois a exposição à(s) língua(s), desde os primeiros dias após o nascimento, é que ativa os mecanismos psicofísicos da linguagem.

Ao sairmos da infância, nosso aparelho fonador já está formado e ajustado à(s) nossa(s) língua(s) materna(s); depois disso, ao aprendermos outra(s) língua(s), nosso cérebro tenta ajustar, “casar” os fonemas e a gramática da(s) nova(s) línguas àquilo que já temos na mente. É o que gera o sotaque de língua estrangeira – quanto aos aspectos fonético-fonológicos, é claro.

Por isso a melhor idade para aprender línguas é a infância; depois dessa idade, dificuldades e sotaque são inevitáveis – a não ser que se trate de um dos Super-Humanos de Stan Lee ou um(a) Language Boy ou Girl da Legião dos Super-Heróis.

É claro que um adulto pode aprender línguas estrangeiras, variando a velocidade e facilidade de aprendizado, assim como a agilidade na(s) nova(s) língua(s), de acordo com vários fatores, tanto pessoais quanto externos; mas jamais poderemos aprender novas línguas, depois da infância, como se crianças ainda fôssemos.

Santarém, PA, 10/2/2016.