O…, A…

Se você é tradutor de documentários e outros programas de televisão, vai aqui uma dica grátis: cuidado com o uso de artigo definido (o, a, os, as) com nomes próprios.
Nem todas as línguas têm artigo; das que têm artigo, nem todas permitem o uso dele com nomes próprios; e das que permitem tal uso – como o português -, nem todos os dialetos ou falares o apresentam. Basta conversar com falantes de português de outras regiões para verificar isso.
Refiro-me à língua coloquial, é claro. Já em nossa língua culta o uso do artigo com nomes próprios é muito restrito, cabível apenas quando necessário pelo contexto (em representação de linguagem coloquial, por exemplo).
É chato e irritante assistir a um jornal ou documentário na TV e ouvir, a todo momento, coisas como “O Putin”, “A Thatcher”, “O Gandhi”, “O Einstein”, “O Alexandre Magno”, “A Joana D’Arc”, “O Hiroito”, “A Merkel”, “O Simão Pedro”, “O Gengis Khan”…
Sem falar no uso de artigo com nomes de santos católicos: “O São Pedro”, “O Santo Antônio”, “A Santa Maria”…
A lista não tem fim e abrange antigos e contemporâneos, de lá e de cá, de ambos os gêneros.
E parece que só Jesus escapa… mas talvez por pouco tempo. 🤔

IMPEÇA, não IMPESSA

impedirEm português, o tempo presente do subjuntivo é formado a partir da 1ª pessoa do singular do presente do indicativo. Isto vale para quase todos os verbos, mesmo irregulares (com exceção dos verbos que não possuem aquela forma verbal).

O verbo IMPEDIR é irregular: temos aí um /s/ representado por Ç. Sua forma na 1ª pessoa do presente do indicativo é IMPEÇO, por isso todas as formas do presente do subjuntivo de IMPEDIR também são grafadas com Ç, pois são derivadas daquela:

Impeça, impeças, impeça, impeçamos, impeçais, impeçam.

Talvez a Abril tenha dispensado o revisor por engano, numa leva de demitidos; sugiro recontratá-lo.

Santarém, PA, 25/4/2016.

De verbis linguae lusitanorum

Era o orgulho da família. Como falava bem a língua dos gringos! Que fluência! Dava gosto de ver quando “enrolava a língua” com os estrangeiros.

Sim, tinha valido a pena apertar o orçamento para pagar todos aqueles semestres de cursos na escola de ______*, complementados por horas e horas de filmes e muita música!

Os tropeços vinham apenas na hora de conjugar os verbos… do português.

Afinal de contas, por que uma língua precisa de um tempo verbal estúpido como o futuro do subjuntivo?


* Acrescente-se aqui o nome de qualquer língua (mas geralmente se trata do inglês, é claro – ou of course).

Santarém, PA, 11/2/2016.