Rebimboca da parafuseta

Imaginem que vocês precisam fazer uma pesquisa sobre um dispositivo chamado rebimboca da parafuseta. Vocês começam buscando informações na base de dados de uma instituição de fomento, ou de uma universidade… E é claro que vocês encontrarão algo lá.
O apetrecho é bem conhecido, pesquisas sobre esse dispositivo não são novas, não são inéditas; já se pesquisa sobre o assunto há algum tempo; por isso vocês, com facilidade, encontram bastante coisa. Mas, em certo repositório um tanto obscuro, topam com uma pesquisa mais ou menos recente sobre “o rebimboka do parafuzeta”…
!!!
Isso mesmo: “o rebimboka do parafuzeta”!
E pensam: “Deve ser erro de digitação da palavra-chave no banco de dados do repositório…” Mas não é só isso! O termo “rebimboka do parafuzeta” aparece já no título do trabalho acadêmico: “História, descrição e funcionamento do rebimboka do parafuzeta”.
“Um descuido com o título”, pensam vocês; “foi a pressa de cumprir o prazo de entrega”. Talvez.
Mas, ao ler o trabalho, vocês percebem que o termo “rebimboka do parafuzeta” não está só no título, pois ele é citado cerca de 150 vezes no trabalho, sempre com grafia errada e erro na flexão de gênero.
Não pode ser, não é possível! Mas é…
Não se trata de uma nova ortografia ou gramática vanguardista: a análise do trabalho demonstra que seu autor não sabe como se escreve o termo “rebimboca da parafuseta” nem sabe seu gênero gramatical: tanto “rebimboca” quanto “parafuseta” são palavras de gênero gramatical feminino.
E o trabalho passou por duas bancas, uma de qualificação e outra de defesa, tendo sido aprovado em ambas. Nenhum membro das bancas viu isso? E o orientador? Também não viu esse absurdo? Como deixaram passar uma coisa dessas?
Espero que pelo menos o histórico, a descrição e o funcionamento da rebimboca da parafuseta estejam corretos no trabalho, pois no que diz respeito à gramática e à ortografia…

Testes com animais e capitalismo

A cadela Laika, primeiro ser terrestre a ir ao espaço, em 1957. Fonte: http://www.howlofadog.org/laika-the-dog-a-sacrifice-to-science-on-a-one-way-mission-to-space/

“O justo olha pela vida de seus animais.” – Provérbios, XII, 10.

Em 18 de outubro de 2013, muita gente aplaudiu a invasão do Instituto Royal, em São Roque, SP, e o resgate de cães usados em testes por aquela instituição. Não sei se os testes eram feitos dentro da lei ou não, se os manifestantes tinham ou não o direito de entrar em propriedade privada e subtrair os cães de lá… Isto é com a Justiça.

Assim como a maioria das pessoas, não sou a favor desses testes em animais, embora paire a incerteza quanto ao que fazer para substituir as cobaias: não testar nada? Testar apenas em humanos? Testar apenas em ratos, baratas e cobras? (Mas estes também não são animais? Ou são menos animais que os outros?)

Só não consigo entender o raciocínio das muitas pessoas que celebraram o fato como mais uma pancada no CAPITALISMO, como uma grande vitória do SOCIALISMO ou COMUNISMO ou ANARQUISMO etc.! Por quê? Testes com animais só são feitos no âmbito do capitalismo? Será que não há testes desse tipo na Coreia do Norte ou em Cuba? Não cabe aqui discutir qual é o melhor sistema político-econômico (capitalismo/liberalismo ou socialismo/comunismo).

Mas gostaria que alguém provasse, com documentos e elementos seguros, que as extintas União Soviética, Iugoslávia, Alemanha Oriental, Checoslováquia, além dos demais países da então chamada Cortina de Ferro ou outros que foram ou são socialistas (a China ainda é comunista, não?) jamais realizaram testes de qualquer tipo em animais. Se isso puder ser provado, então poderemos dizer que os testes com animais são próprios do capitalismo. Mas acho que não se conseguirá provar isso…

Para os que se esqueceram das aulas de história, um fato: Yuri Gagarin foi o primeiro HUMANO a ir ao espaço, mas não o primeiro SER TERRESTRE. O primeiro ser vivo da Terra a ir lá foi a cadela Laika, em 1957, a bordo do Sputnik II (o Sputnik I não foi tripulado), satélite lançado pelos soviéticos (sim, eles mesmos!). Laika não sobreviveu a mais que algumas horas de viagem; o satélite desintegrou-se ao cair na Terra, após vários meses em órbita do planeta.

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Laika antes do lançamento do Sputnik II. Fonte: http://www.cold-war-sputnik-soviet-space-dog-laika.com/SUMMARY.html

Depois dela foram ao espaço outros cães, esquilos, ratos, até que foi a vez dos chimpanzés. Só foram enviados os primeiros humanos ao espaço depois de se certificarem de que poderiam voltar vivos. O exemplo dos “vermelhos” foi seguido pelos norte-americanos, of course.

O primeiro grande prêmio da corrida espacial foi vencido por um animal, o que lhe custou a vida, como sói ocorrer a muitos pioneiros. Reflitamos sobre isso, e o sacrifício de Laika não terá sido em vão.

Santarém, PA, 20/10/2013. Editado em 8/7/2016.

Coleção Brasiliana disponível na Internet

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio do MEC e outras instituições, lançou o projeto BRASILIANA ELETRÔNICA, que consiste na digitalização e disponibilização, na Internet, de toda a Coleção Brasiliana, publicada de 1931 a 1993 pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, SP.

O processo de digitalização já foi concluído, estando disponível para leitura em linha/online todo o acervo da Coleção Brasiliana, que abrange 415 títulos (em 439 volumes, muitos dos quais tiveram várias edições), 158.204 páginas de 275 autores nacionais e estrangeiros, sobre vários assuntos (história, geografia, antropologia, folclore, sociologia, biografia, narrativas de viagem etc.), abrangendo todo o Brasil.

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“O Brasil” de Manoel Bonfim é o volume 47 da Brasiliana.

Dentre as obras que podem ser lidas no portal do projeto, estão Os Africanos no Brasil, de Raimundo Nina Rodrigues (volume 9); À Margem da História do Brasil, de Vicente Licínio Cardoso (volume 13); O Selvagem, de Couto de Magalhães (volume 52); Na Planície Amazônica, de Raimundo de Morais, volume 63; Estudos Históricos e Políticos, de João Pandiá Calógeras (volume 74); O Vale do Amazonas, de Tavares Bastos (volume 106); O Precursor do Abolicionismo no Brasil: Luís Gama, de Sud Mennucci (volume 119); O Domínio Colonial Holandês no Brasil, de Hermann Watjen (volume 123); Viagem pelo Amazonas e Rio Negro, de Alfred Russell Wallace (volume 156); Viagem ao Tapajós, de Henri Coudreau (volume 208).

Além dos textos completos, o sítio apresenta ainda listas dos autores, tradutores, prefaciadores, organizadores e colaboradores de cada volume original.

A BRASILIANA ELETRÔNICA está disponível no sítio http://www.brasiliana.com.br.

Santarém, PA, 10/8/2011. Editado em 15/4/2016.