Urubuqueçaba

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/cultura/

Encontrei na Internet esta foto (um cartão postal) dos anos 1920, que mostra pescadores em frente à Ilha Urubuqueçaba, em Santos, SP.

O nome da ilha veio da língua tupi: URUBUKESABA “lugar onde dormem urubus” (KER “dormir” + SABA “lugar, instrumento, condição etc.” = KESABA).

Santarém, PA, 15/5/2020. Leia e curta também no Blogspot.

Uma notinha sobre tradutibilidade

Com pequenas variações, um comentário que postei no blogue de Carlos Carrion, num artigo dele sobre dificuldades de tradução: http://omniglotbrasil.wordpress.com/2012/12/27/mais-intraduziveis/.

A facilidade e a dificuldade da tradução de textos dependem menos da estrutura das línguas em questão e mais do contexto delas, expresso por seu vocabulário, que expressa a cultura e o ambiente em que os falantes estão imersos.

É possível traduzir A República ou Os Lusíadas na língua xavante ou guarani? Pode ser difícil, trabalhoso, mas não impossível, do ponto de vista da estrutura. O que dificulta mais é o contexto, o conjunto de referências, que precisaria ser criado na cultura dos falantes, transposto para ela, para depois ser expresso em palavras.

Foi o que os missionários jesuítas, por exemplo, fizeram no trabalho de catequese: explicavam ou mostravam os conceitos cristãos e europeus na língua indígena (o tupi, por exemplo), criando nela um conceito e jungindo-o a um termo novo (criado a partir de elementos da própria língua ou importado do português) para poder ser ele veiculado por meio daquela língua.

Assim, foi possível falar em “cavalo” (kabaru), “pecado” (tekoa’iba ou angaipaba = “mau procedimento”), “mandamento” (Tupã rekomonhangaba = “aquilo que Tupã quer que se faça”), “cruz” (kurusu ou ybyrá-ioasaba = “paus cruzados”), “igreja” (Tupã roka = “casa de Tupã”) etc., conceitos que os tupis não conheciam.

Em geral, o senso comum concebe a tradução como equivalência “palavra por palavra”, como se os termos fossem etiquetas ou rótulos que pudessem ser facilmente trocados por outros: manteiga = burro = butter = butero; se não é possível fazer isso, já então se diz que a palavra não tem tradução em outras línguas. Infla-se o ego linguístico nacional!

Já dizia, e com toda a razão, São Jerônimo, padroeiro dos tradutores: “Deve-se traduzir o sentido, não as palavras”.

Santarém, Pará, 4/2/2013. Editado em 9/10/2015.

Cartilha em PDF sobre quelônios da Amazônia

O projeto Tartarugas da Amazônia lançou uma cartilha em quadrinhos sobre as principais espécies de quelônios (tartarugas, jabutis e cágados) da região amazônica. O objetivo da publicação é informar sobre essas espécies, que vivem sob risco de extinção, e contribuir para o melhor conhecimento delas e sua conservação. Explicam-se, entre outras coisas, os perigos da caça ilegal e os modos de conservar o meio ambiente e garantir a sobrevivência dessas e outras espécies.

De autoria de Adriana Terra, Fernanda Rodrigues e Romildo de Souza, a história tem como pano de fundo a chegada de uma irapuca (Podocnemis erythrocephala), que passa a fazer parte de um grupo formado por outros quelônios encontrados na Amazônia: tracajá (Podocnemis unifilis), iaçá (Podocnemis sextuberculata), cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus), matamatá (Chelus fimbriata) e tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa).

Matamatá (Chelus fimbriata)
Matamatá (Chelus fimbriata)

A cartilha foi inicialmente distribuída na forma impressa, e sua disponibilização em PDF visa a atender à grande procura que a obra tem tido. O texto foi produzido em linguagem regional amazônica e educativa; traz também descrição e fotos das 6 espécies citadas e atividades educativas.

A parte os vários erros de ortografia e pontuação (alguns deles motivados pela tentativa de aproximação com a linguagem popular da região), o texto é bastante instrutivo e pode ser aproveitado em todo o país, como instrumento de divulgação para conhecermos melhor o meio ambiente e planejar a ocupação do solo e as atividades econômicas, de modo que se garanta a preservação dos recursos naturais e dos seres vivos.

O livro eletrônico pode ser lido na rede (online) no sítio www.tartarugasdaamazonia.org.br ou diretamente AQUI e AQUI.

Quelônios – O nome quelônio designa os membros do grande grupo de répteis da ordem dos testudíneos (ou Testudinata, em latim); são centenas de espécies espalhadas por quase todas as regiões da Terra, e cujo corpo é recoberto por casco, integrado à espinha dorsal e aos ossos. Formado de carapaça (a parte superior) e plastrão (a parte inferior), esse casco geralmente é duro, mas há espécies de tartarugas e cágados que possuem casco mole.

Embora o nome tartaruga seja popularmente um sinônimo de quelônio, é termo usado tecnicamente para os quelônios marinhos. Os de água doce, dentre os quais as espécies amazônicas, são designados como cágados, enquanto o termo jabuti é reservado para os quelônios terrestres. O termo jabuti é originário da língua tupi e nela designava os quelônios terrestres, especificação esta que passou à nossa língua, mormente no Brasil, mas pode ser aplicado aos quelônios terrestres de todas as partes do mundo.

Santarém, Pará, 14/2/2012. Editado em 23/9/2015.