Tataravó, tetravó ou trisavó?

Hoje os britânicos comemoram que a rainha Isabel II (ou Elizabeth, para os íntimos) completa 63 anos e 217 dias de reinado, superando o recorde da rainha Vitória, que reinou de 1837 a 1901, período conhecido como Era Vitoriana.

Mas enquanto a monarquia britânica retoma cada vez mais seu prestígio, nossa imprensa derrapa, pois além das acusações de parcialidade, partidarismo, manipulação, golpismo e coisas que tais, soma-se o pecado de não conhecer direito o vocabulário da própria língua.

Toda a imprensa tupiniquim noticia que a rainha Isabel II “quebrou o recorde de sua TATARAVÓ Vitória”.

Isto é um erro dos mais grosseiros!

A rainha Vitória foi TRISAVÓ de Isabel II. Vejamos a linha genealógica:

  • Vitória foi mãe de Eduardo VII;
  • Eduardo VII foi pai de Jorge V;
  • Jorge V foi pai de Jorge VI;
  • Jorge VI foi pai de… Isabel (Elizabeth) II.

Se Vitória foi mãe do bisavô de Isabel II, logo foi sua TRISAVÓ. Claro como o sol.

Para completar: TATARAVÓ é forma popular, que devemos evitar nos textos escritos e formais; a forma adequada e indicada é TETRAVÓ, feminino de TETRAVÔ.

A tetravó de Isabel II foi a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld, esposa do príncipe Eduardo, que era filho do rei Jorge III e irmão dos reis Jorge IV e Guilherme IV.

Além de não ter vergonha do mal que faz ao país, parte de nossa imprensa ainda precisa aprender a consultar dicionários e enciclopédias.

Santarém, Pará, 9/9/2015.

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Subconsciente colonizado

A colonização cultural e mental de nosso povo fica cada vez mais evidente – pelo menos para mim.

Observo-a em certos detalhes, como o fato de correspondentes brasileiros de imprensa na França pronunciarem nomes franceses como se fossem ingleses. Não é só o nome da famosa torre parisiense, é todo e qualquer nome próprio.

Outros povos, ainda não dominados por essa mania, costumam ter dois procedimentos em face de uma situação destas:

1- Pronunciar tais palavras como na língua de origem; ou

2- Pronunciá-las como se fossem nomes de sua própria língua.

Os próprios francófonos não têm a menor vergonha de pronunciar palavras estrangeiras pela fonologia e fonética de sua própria língua.

Mas nós as pronunciamos como se fossem palavras inglesas, pois em nosso subconsciente achamos que só nós falamos o português e os demais povos todos falam inglês.

O trabalho já está feito; desmanchá-lo será difícil, senão impossível.

Pode parecer coisa pouca ou desimportante, mas não é.

Falta de pauta… ou “pauta” do que fazer

Pergunta um repórter a um desabrigado das enchentes recentemente ocorridas no Rio Grande do Sul:

“O senhor tem saudade da sua casa?”

Pelo fantasma de César! Isto é pergunta que se faça? É falta de assunto?

Quando me lembro de que a imprensa brasileira já teve em seus quadros gente como Euclides da Cunha e Nelson Rodrigues…