Penitência de Canossa

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Penit%C3%AAncia_de_Canossa?wprov=sfla1

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O que Jesus (não) disse… e o que (não) se pôs no papel

EHRMAN, Bart D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse?: Quem mudou a Bíblia e por quê. Rio de Janeiro: Pocket Ouro, 2008. 309 p.
[Misquoting Jesus: The story behind who changed the Bible and why. Harper One, 2005.]

o_que_jesus_disse_o_que_jesus_nao_disse_1323213558bLivro muito interessante e instrutivo… e para pessoas de mente aberta!

O autor, Bart D. Ehrman, é um grande especialista e divulgador científico dos métodos de crítica textual aplicados aos textos bíblicos, principalmente os manuscritos do Novo Testamento em grego. Os mais antigos são do século IV, portanto cerca de 300 anos depois dos eventos narrados – nenhum manuscrito conhecido é autógrafo, ou seja, o papiro ou pergaminho original. Existem apenas cópias das cópias das cópias das cópias das cópias das cópias…

Segundo o autor, já foram catalogados pelos especialistas mais de 5.700 manuscritos neotestamentários em grego, desde simples versículos isolados até coleções inteiras do Novo Testamento; nenhum códice é idêntico a outro, e os cálculos levam a mais de 400.000 variantes!

A maior parte delas diz respeito a erros de grafia, inversão acidental de termos ou frases, troca de letras, escorregões, deslizes da pena por pouco conhecimento da escrita, fadiga, enfado… São erros que não afetam a compreensão do texto.

Os problemas estão nas variantes propositais, feitas para direcionar o texto para a defesa ou condenação das diversas vertentes do cristianismo concorrentes nos primeiros séculos da Era Cristã (ou Era Comum).

O Deus cristão era o mesmo Deus dos judeus ou era outro? Jesus era humano, divino ou ambas as coisas ao mesmo tempo? Tinha um corpo humano ou apenas aparente? Como era/deveria ser a participação das mulheres na igreja nascente? Os judeus também podiam ser salvos por Cristo? Estas e outras questões mais eram discutidas à saciedade pelos primeiros cristãos e seus detratores pagãos.

Além dos próprios textos, o cristianismo é também baseado em tradições de leitura e interpretação textual: alterações se fixaram nos textos e criaram a religião conhecida hoje; leituras foram feitas, opiniões se firmaram e disso se criaram as bases dos dogmas das igrejas (não apenas a Católica).

Leitura para pessoas de mente aberta – sejam crentes ou agnósticas, católicas ou protestantes – e cientes de que “quem conta um conto, aumenta um ponto”.


Texto publicado originalmente com o título Para Pessoas de Mente Aberta no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/resenhas/3864/edicao:230303.

Santarém, PA, 2/1/2017. Editado em 6/1/2017. Leia e curta também no Blogspot.

A força do perdão

Vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.
Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele.
(Mateus V, 24, 25).

Pedro Lameira de Andrade (1880-1938) foi um importante divulgador do espiritismo no Brasil no início do século XX, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, como benemérito e palestrante. Atuou junto a diversas casas espíritas, algumas das quais ajudou a fundar, e foi orador da Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP) e outras instituições.

Reproduzo abaixo um episódio havido por ocasião de uma palestra de Pedro Lameira de Andrade, conforme narrado por Paulo Alves Godoy no capítulo 32 de seu livro Grandes Vultos do Espiritismo, uma das obras em que o autor traça pequenas biografias de figuras de destaque da doutrina espírita no Brasil e no mundo. Godoy não cita a data, mas suponho que o fato tenha ocorrido na década de 1930.

“Certa ocasião, chegada a hora designada para a realização de uma conferência sobre o tema “O Perdão”, na Sede da Associação “Verdade e Luz”, choveu torrencialmente. Apenas estavam na sede da instituição o orador, Elói Lacerda e outros dois companheiros. Lameira, vendo o salão vazio, aventou a ideia de fazer uma prece e encerrar a reunião, sugestão prontamente repelida pelos presentes. A palestra foi proferida, portanto, como se o salão estivesse repleto. A determinada hora entrou no recinto uma pobre mulher, toda molhada, esperando resguardar-se da chuva.

Assentando-se nas últimas cadeiras, passou a prestar inusitada atenção às palavras do conferencista.

Ao finalizar a palestra, ela aproximou-se do orador e lhe disse: “Graças a Deus entrei nesta casa e ouvi suas palavras. Eu estava decidida a cometer um crime nesta noite. Entretanto, agora compreendo as razões de minha desorientação e vou tomar rumo diferente, vou lutar contra as forças negativas que quase me desviaram do caminho do bem.” Lameira abraçou-a comovido, alegrando-se intimamente pelo fato de ter servido de ponte para que aquela criatura se reencontrasse e viesse a descortinar novos horizontes.”

GODOY, Paulo Alves. Grandes Vultos do Espiritismo. 3ª edição. São Paulo: Edições FEESP, 2011. Capítulo 32.

Santarém, PA, 20/12/2016. Leia e curta também no Blogspot.