Dicionário Caldas Aulete disponível na Internet

Aulete_DigitalO Dicionário Caldas Aulete, um dos mais importantes e conceituados dicionários de língua portuguesa, está disponível para consulta gratuita na Internet. Trata-se de uma iniciativa da editora Lexikon, que o atualizou e digitalizou.

Idealizado pelo português Francisco Júlio de Caldas Aulete (1826-1878), sua primeira edição saiu em 1881, três anos após a morte do autor, graças a António Lopes dos Santos Valente (1839-1896), que deu prosseguimento ao trabalho de Aulete, pondo em prática o plano traçado por ele. O dicionário foi reeditado, com acréscimos, em 1925 e 1948.

No Brasil, o Caldas Aulete ou simplesmente Aulete, como ficou mais conhecido, foi lançado pela editora Delta, em 5 volumes, em 1958, e reeditado em 1964, 1971, 1974, 1980 e 1987, sucessivamente atualizado e ampliado por Hamílcar Garcia.

Recentemente a editora Lexikon lançou um Minidicionário Caldas Aulete em versão impressa, além de edições infanto-juvenis ilustradas com personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo e da Turma do Cocoricó.

O Aulete Digital apresenta, entre outros recursos, muitos exemplos de uso dos termos definidos, conjugação completa de verbos, pronúncia de muitas palavras, possibilidade de imprimir páginas, além do texto do último acordo ortográfico de nossa língua.

A versão digital do Dicionário Caldas Aulete está disponível no sítio http://www.auletedigital.com.br.

Santarém, PA, 4/1/2012. Editado em 18/4/2016.

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O Diabo e o rock

Não acredito na existência do Diabo (ou Satã, Satanás, Lúcifer, Belzebu, Mefistófeles, Anhangá… não importa o nome que se dê a ele).

Não, ele de fato não existe. Na minha concepção da vida e da religião, é até ilógico que exista tal criatura.

Mas se existe mesmo, é um tremendo idiota, um otário, um boçal, pois acha que controla o mundo e a nós todos; porém, nós é que mandamos nele, já que até pomos em suas costas a culpa de tudo de errado que fazemos…

Estamos levando vantagem sobre ele, então. Fazemos nossas estripulias e ele paga o pato! Sim, somos muito bons nisso.

Se ele existe mesmo, a única coisa cuja autoria se lhe pode atribuir é o rock and roll, como dizia Raul Seixas:

O Diabo é o pai do rock, foi ele que me deu o toque.

Dr. Funk explica… o recalque!

keep-calm-and-pare-de-recalqueEnganam-se os que pensam que o funk brasileiro e seus formadores de opinião nada têm com que contribuir para a cultura contemporânea.

Au contraire! A reintrodução, na cultura popular e de massa, dos conceitos de recalque, recalcamento, recalcado(a) etc. só merece elogios – mereceria também panegíricos, não estivesse tão fora de moda este estilo de composição clássico e “elitista”. Fora de moda e distante do estilo leve, descontraído, moderno do alegre funk…

Popularizar o conceito de recalque, antes restrito ao domínio da psicanálise e psicologia, é uma das maiores contribuições da cultura brasileira à discussão sobre os problemas de comportamento e de inserção social de muitos indivíduos – ou para, simplesmente, explicar o porquê de tantas pessoas ranzinzas e irritantes que vivem a reclamar do que acham que está errado e teimam em dar sua opinião, mesmo sendo ela o contrário do que pensa a maioria das pessoas. Sim, pois não há nada errado, tudo está na mais perfeita ordem.

Afinal, já dizia há tempos o doutor Pangloss, em sua cândida sabedoria: “Vivemos no melhor dos mundos”. É isso! Não há motivo ou razão para queixar-se de nada. E por que razão, em assim sendo, tanta gente reclama disto ou daquilo, se a vida é tão boa? A explicação é uma só: o recalque!

A Teoria do Recalque é, portanto, a explicação mais satisfatória para tudo de ruim – ou nem tanto assim – que ocorre em nossa sociedade.

Se não, vejamos.

Por que reclamar dos motoristas que passam com seus carros tocando música (?) em altíssimo volume? Só podem ser uns recalcados os que reclamam disto, pois gostariam, na verdade, de estar lá também, curtindo o som “maneiro”.

Por que comentar negativamente a saia curta daquela mulher? Recalque, pois quem critica gostaria de ter pernas como aquelas, que só com a saia curtinha se podem mostrar.

Por que clamar contra a corrupção, se não por recalque? Gostaríamos de estar no grupo que participou daquela negociata, não é mesmo? Os apresentadores de programas policiais ou do “mundo cão” são recalcados, pois reclamam dos crimes cometidos pelos outros, quando eles mesmos também gostariam de sair cometendo uns crimezinhos por aí.

Por que duvidar da capacidade de discernimento dos eleitores do outro candidato? Só pode ser por causa do maldito recalque, já que nosso candidato não foi eleito.

Por que reclamar dos bugs do Windows, se não pelo fato de que, na verdade, somos uns recalcados e gostaríamos de ter um Macintosh?

A Miss Brasil não foi eleita Miss Universo? Retaliação motivada pelo recalque, é claro, pois nenhuma gringa tem a ginga, a classe, a beleza que as brasileiras têm.

Eles querem separar sua região para criar uma província independente? Recalcados, obviamente. Nós somos contra? Somos recalcados também – mas não espalhe!

A cerveja deles espuma mais do que a nossa? Recalque espumoso!

E, por fim, por que reclamar dos pobres índios, que não aceitam a construção de hidrelétricas, rodovias, ferrovias, fábricas e outras coisinhas boas da civilização nas terras federais que ocupam? A resposta é o recalque: gostaríamos de ser como eles, andando nus pela mata, caçando, pescando, colhendo, banhando-nos em riachos de água pura e cristalina, integrados à natureza e à Mãe Terra-Gaia e sem preocupação com falta de água ou energia, engarrafamentos de trânsito, poluição, contas para pagar, IR, IPI, IPVA, IPTU, ICMS, ISS, INSS, iOS, CPMF, Cide, Cid, Sabesp, Celpa, Cosanpa, OVNI, USA, URSS, PT, PSDB, PMDB…

Por isso, não seja recalcado(a), não se queixe de nada, pois não há nada de que se queixar. E não expresse sua opinião, pois ninguém quer saber dela.

Lembre-se: tudo o que você disser ou fizer, em relação a qualquer coisa, poderá ser usado como recalque contra você mesmo!

Sim, de fato o funk deu uma contribuição de suma importância para a cultura contemporânea brasileira. Eis um fato que somente uma pessoa recalcada não reconheceria.

P. S.: É claro que eu também sou um recalcado, caso contrário não teria escrito isto.