Campeonato Paulista de 1988

17 de julho: o já desclassificado Palmeiras enfrenta o São Paulo, o então campeão, que precisa apenas de um empate para ir a mais uma final seguida, desta vez contra o Guarani. O Corinthians acompanha o Choque Rei e reza por um milagre: para enfrentar o Guarani, além de vencer o Santos (o que faz no mesmo dia por 2×0), precisa de que o Palmeiras vença o São Paulo. Os corintianos torcem por seu arquirrival contra o Tricolor do Morumbi!
A pressão sobre o Palmeiras é enorme: além das chacotas por amargar 12 anos sem títulos, os palmeirenses ainda têm de aturar a denúncia de que pretendem deixar o São Paulo vencer para evitar que o Corinthians seja finalista. Parte da torcida deseja mesmo isso: “Entrega o jogo! Entrega o jogo!” — o grito ecoa no estádio do Morumbi…
Mas a história é outra: com gol de Gerson Caçapa, o Palmeiras vence o São Paulo, o que põe o Corinthians na final contra o Guarani.
Parte da torcida odiou isso. A manchete de capa da revista Placar dizia: PORCORINTHIANS! Torcedores manifestaram-se na porta do Parque Antártica: “Filial, filial, filial da Marginal!” — era o que gritavam.
E o resto da história? Bem… Após empate por 1×1 no Morumbi — o gol bugrino foi de Neto, numa antológica bicicleta —, o Corinthians venceu o Guarani na finalíssima no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, com gol de Viola, e conquistou seu vigésimo título.
Um figurão da diretoria do Corinthians, após o primeiro jogo da final, fizera pouco caso do gol de Neto: “Não precisamos de gol de bicicleta!” Bata-se na boca! Suprema ironia: dois anos depois, Neto se consagrava no Alvinegro da Marginal.
Passados mais de 30 anos, não sei se o Corinthians teve a oportunidade de retribuir o “favor” de seu maior rival (a de hoje ele perdeu…); mas muitos palmeirenses jamais perdoaram a vitória do Verdão naquele Choque Rei de 17 de julho de 1988.

Santarém, Pará, 3 de novembro de 2019.

Humildade

Humildade é figura de linguagem. Aliás, a pretensa humildade de alguns nada mais é que uma soberba, um orgulho que se julga mais digno que o orgulho alheio.
(C. O. N. Fusus)

Clube dos Falidos

Especialistas dizem que o acordo de recuperação judicial da Odebrecht é o maior da história da humanidade! 😱

Sim, sem dúvida! Antes dele, foi notável a falência do fornecedor de pedra do faraó Djedefré: a pirâmide ruiu e ele não recebeu um só jarro de cerveja ou pão para seus colaboradores. Recomeçou (e terminou) a vida, com apoio do Hórus Vivo, quebrando pedra na fábrica de obeliscos.

Sem falar no armador grego que transportou duas belas e valiosíssimas estátuas de guerreiros (de Fídias, talvez?) para a Magna Grécia no século V a.C. O navio afundou perto da costa sul do Bico da Bota, e ele ficou sem pagamento, sem navio e precisou pagar a franquia do seguro.

As estátuas só foram recuperadas quase 2.500 anos depois, e até hoje nenhum herdeiro dele compareceu a Riace para requerer a devolução das peças.

Os Odebrechts fazem parte de um clube seleto de falidos célebres. Mas estão em melhor condição que seus consócios.