Rebimboca da parafuseta

Imaginem que vocês precisam fazer uma pesquisa sobre um dispositivo chamado rebimboca da parafuseta. Vocês começam buscando informações na base de dados de uma instituição de fomento, ou de uma universidade… E é claro que vocês encontrarão algo lá.
O apetrecho é bem conhecido, pesquisas sobre esse dispositivo não são novas, não são inéditas; já se pesquisa sobre o assunto há algum tempo; por isso vocês, com facilidade, encontram bastante coisa. Mas, em certo repositório um tanto obscuro, topam com uma pesquisa mais ou menos recente sobre “o rebimboka do parafuzeta”…
!!!
Isso mesmo: “o rebimboka do parafuzeta”!
E pensam: “Deve ser erro de digitação da palavra-chave no banco de dados do repositório…” Mas não é só isso! O termo “rebimboka do parafuzeta” aparece já no título do trabalho acadêmico: “História, descrição e funcionamento do rebimboka do parafuzeta”.
“Um descuido com o título”, pensam vocês; “foi a pressa de cumprir o prazo de entrega”. Talvez.
Mas, ao ler o trabalho, vocês percebem que o termo “rebimboka do parafuzeta” não está só no título, pois ele é citado cerca de 150 vezes no trabalho, sempre com grafia errada e erro na flexão de gênero.
Não pode ser, não é possível! Mas é…
Não se trata de uma nova ortografia ou gramática vanguardista: a análise do trabalho demonstra que seu autor não sabe como se escreve o termo “rebimboca da parafuseta” nem sabe seu gênero gramatical: tanto “rebimboca” quanto “parafuseta” são palavras de gênero gramatical feminino.
E o trabalho passou por duas bancas, uma de qualificação e outra de defesa, tendo sido aprovado em ambas. Nenhum membro das bancas viu isso? E o orientador? Também não viu esse absurdo? Como deixaram passar uma coisa dessas?
Espero que pelo menos o histórico, a descrição e o funcionamento da rebimboca da parafuseta estejam corretos no trabalho, pois no que diz respeito à gramática e à ortografia…

O…, A…

Se você é tradutor de documentários e outros programas de televisão, vai aqui uma dica grátis: cuidado com o uso de artigo definido (o, a, os, as) com nomes próprios.
Nem todas as línguas têm artigo; das que têm artigo, nem todas permitem o uso dele com nomes próprios; e das que permitem tal uso – como o português -, nem todos os dialetos ou falares o apresentam. Basta conversar com falantes de português de outras regiões para verificar isso.
Refiro-me à língua coloquial, é claro. Já em nossa língua culta o uso do artigo com nomes próprios é muito restrito, cabível apenas quando necessário pelo contexto (em representação de linguagem coloquial, por exemplo).
É chato e irritante assistir a um jornal ou documentário na TV e ouvir, a todo momento, coisas como “O Putin”, “A Thatcher”, “O Gandhi”, “O Einstein”, “O Alexandre Magno”, “A Joana D’Arc”, “O Hiroito”, “A Merkel”, “O Simão Pedro”, “O Gengis Khan”…
Sem falar no uso de artigo com nomes de santos católicos: “O São Pedro”, “O Santo Antônio”, “A Santa Maria”…
A lista não tem fim e abrange antigos e contemporâneos, de lá e de cá, de ambos os gêneros.
E parece que só Jesus escapa… mas talvez por pouco tempo. 🤔

#Coclear…

Revejo um episódio antigo de uma série policial: o crime envolve membros da comunidade surda de Nova Iorque. Um dos suspeitos é cirurgião que faz implantes cocleares.
Até aí, nada fora do comum.
O problema está na dublagem: a palavra COCLEAR é pronunciada [ko’klir] ou algo parecido, como se fosse termo inglês; explicando melhor: as duas sílabas finais são pronunciadas como a palavra inglesa CLEAR.
Por quê? Não sei e não consigo entender isso.
Mas uma coisa é certa: há tempos estamos formando profissionais da linguagem, em várias profissões, que desconhecem o vocabulário da própria língua.

Fonte da imagem: http://www.direitodeouvir.com.br