O Diabo e o rock

Não acredito na existência do Diabo (ou Satã, Satanás, Lúcifer, Belzebu, Mefistófeles, Anhangá… não importa o nome que se dê a ele).

Não, ele de fato não existe. Na minha concepção da vida e da religião, é até ilógico que exista tal criatura.

Mas se existe mesmo, é um tremendo idiota, um otário, um boçal, pois acha que controla o mundo e a nós todos; porém, nós é que mandamos nele, já que até pomos em suas costas a culpa de tudo de errado que fazemos…

Estamos levando vantagem sobre ele, então. Fazemos nossas estripulias e ele paga o pato! Sim, somos muito bons nisso.

Se ele existe mesmo, a única coisa cuja autoria se lhe pode atribuir é o rock and roll, como dizia Raul Seixas:

O Diabo é o pai do rock, foi ele que me deu o toque.

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Aprendendo com os antigos egípcios

rosalie-david_religiao-magia_egito“O objetivo comum da irrigação forneceu uma força unificadora e certamente contribuiu para a criação final de um estado político em c. 3100 a.C. […]
Quando o rio subia, uma série de canais direcionava a água para essas bacias, de modo que a terra ficava inundada. Então, a água era retida ali para que o lodo que carregava consigo ficasse depositado na terra. Quando o rio recuava novamente, qualquer água remanescente era drenada, e os fazendeiros podiam, então, arar a terra e plantar seus grãos. Era necessária uma organização complexa de mão de obra e dos recursos para construir e manter esse sistema, e os reis devotaram um esforço considerável para assegurar que as represas e os diques fossem construídos, que os canais fossem cavados e que o sistema fosse devidamente mantido. Períodos de colapso político e econômico foram sempre acompanhados da negligência do sistema de irrigação.

DAVID, Rosalie. Religião e Magia no Antigo Egito. Tradução de Angela Machado. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. p. 32. [Grifos meus.]

O trecho acima está de acordo com a ideia geral de que a necessidade de criar e manter um sistema amplo de irrigação, que aproveitasse a cheia anual do rio Nilo, captando e distribuindo melhor e mais amplamente a água e propiciando colheitas mais abundantes, tanto impulsionou a unificação do Egito, há cerca de 5.000 anos, como também passou a depender do Estado sua conservação.

“O Egito é uma dádiva do Nilo”, diziam os antigos, e o aproveitamento de suas benesses dependia da estabilidade do Estado e do faraó.

Qualquer semelhança (ou a ausência dela) com a atual crise de abastecimento de água e de energia elétrica resultante da ação de governos que conhecemos não é mera coincidência.

Santarém, PA, 7/3/2015. Editado em 23/2/2016.