Toda a Minha Vida [poema de Armand Su]

TODA A MINHA VIDA
(Tuta Mia Vivo)

Armand Su (1936-1990)
Traduzido do esperanto por Júlio César Pedrosa.

Toda a minha vida é esperar
– esperar alguém
que não veio, não vem
e nunca virá.

Toda a minha vida é suspirar
– suspirar por alguém
que não existiu, não existe
e nunca existirá.

Toda a minha vida é amar
– amar alguém
que não me amou, não ama
e nunca amará.

Toda a minha vida é sofrer
– sofrer por alguém
que de mim não teve dó, não tem
e nunca terá.

Toda a minha vida é morrer
– morrer a esperar,
a suspirar,
a amar
e a sofrer.

SU, Armand. Mia Tuta Vivo. In:       . Poemoj de Armand Su. Unua eldono. Kompilita de Hu Guozhu kaj Shi Chengtai. Beijing, Ĉinio: Ĉina Esperanto-Eldonejo, 1992. p. 47-48.


Nota biográfica:
O poeta chinês Armand Su (pseudônimo de Su Chengzong) nasceu em 19 de novembro de 1936. Estudioso de literatura e tradutor, aprendeu mais de 20 idiomas, dentre os quais alemão, inglês, francês e russo.
Armand Su aprendeu esperanto em 1956. Algum tempo depois seus poemas começaram a ser publicados em revistas literárias em esperanto, e o autor se tornou conhecido dentro e fora da China. Escrevia e traduzia também em outras línguas.
Em 1968, em plena Revolução Cultural Chinesa, Su foi preso sob a acusação de conduta antirrevolucionária, devido à sua atividade como esperantista e tradutor/redator de línguas estrangeiras, e condenado a 20 anos de prisão. Adoeceu gravemente na cadeia e quase morreu; a doença lhe deixou sequelas e Su jamais se recuperou plenamente.
Em 1978, após 10 anos de cárcere, foi declarado inocente e libertado, retornando a suas atividades literárias, apesar dos problemas de saúde.
Faleceu em Tianjin, China, em 23 de setembro de 1990.
Em 1992 a Editora Esperantista Chinesa reuniu e publicou sua produção poética no volume Poemoj de Armand Su (“Poemas de Armand Su”).

Santarém, PA, 17/5/2016.

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Tesouros das bibliotecas digitais do Congresso Nacional

Nem só de política vive o Congresso Nacional. As bibliotecas de ambas as casas legislativas federais conservam livros raros, verdadeiros tesouros que pouco a pouco têm sido digitalizados e postos à disposição do público para ser lidos em linha/online ou baixados gratuitamente.

Senador Federal  Fundada há mais de 180 anos, a Biblioteca do Senado acumulou um grande acervo de livros sobre os mais variados assuntos, principalmente temas brasileiros, entre os quais se incluem centenas de obras raras. Em 2009 essas raridades começaram a ser digitalizadas e postas na Internet à disposição de todos os interessados.

Esses arquivos digitais são feitos a partir de fotografias completas de cada exemplar da biblioteca, o que possibilita registrar carimbos e assinaturas dos antigos possuidores, anotações e correções, grifos e as próprias pastas das encadernações.

A lista das obras digitalizadas pela Biblioteca do Senado já ultrapassa mil títulos; muitos deles tratam da questão da extinção da escravidão no Brasil. Dentre estes, destacam-se: A escravidão no Brasil: ensaio histórico-jurídico-social (1866), de Perdigão Malheiro; Abolição imediata e sem indenização (1883), de autor anônimo; Apontamentos para a história do movimento abolicionista na província do Rio Grande do Sul (1888) de Joaquim de Sales Torres Homem; e A emancipação: breves considerações, por um lavrador baiano (1871).

Outros títulos raros são: Memórias para a história do extinto Estado do Maranhão, cujo território compreende hoje as províncias do Maranhão, Piauí, Grão-Pará e Amazonas (1860), de José de Moraes e Cândido José de Almeida; O selvagem (1876) de José Vieira Couto de Magalhães; Um estadista do Império: Nabuco de Araújo, sua vida, suas opiniões, sua época (1899) de Joaquim Nabuco; e Antiqualhas e memórias do Rio de Janeiro (1921), de José Vieira Fazenda.

Destacam-se também muitas obras do século XIX – entre elas primeiras edições – de autores brasileiros e portugueses como José de Alencar, Machado de Assis, Vagundes Varela, Camilo Castelo Branco e outros.

A Biblioteca Digital do Senado Federal está disponível em http://www2.senado.gov.br/bdsf/.

Câmara dos Deputados  Seguindo os mesmos critérios do Senado, a Câmara dos Deputados também iniciou a digitalização de seu acervo de raridades bibliográficas.

Dentre as obras já digitalizadas, destacam-se: A Amazônia: as províncias do Pará e Amazonas e o Governo Central do Brasil (1883), do Barão de Marajó; Instituição da Companhia Geral para o Estado do Brasil (1649); Relação da embaixada que o poderoso rei de Angome, Kiay Chiri Broncom, senhor dos dilatadíssimos sertões de Guiné, mandou… (1751); Portugal e o Brasil: observações políticas aos últimos acontecimentos do Brasil (1822), de Francisco d’Alpuim Meneses; Carta de El-Rei D. Manuel ao Rei Católico narrando-lhe as viagens portuguesas à Índia desde 1500 até 1505 (1892), de Próspero Luís Peraggallo; além de todas as constituições brasileiras anteriores à atual (1824, 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967).

Cabe citar também diversos decretos coloniais portugueses, e entre estes o famoso Diretório que se deve observar nas povoações dos índios do Pará e Maranhão… (1758), um dos principais instrumentos da política portuguesa na Amazônia durante o período pombalino.

A Biblioteca Digital da Câmara dos deputados está disponível em http://bd.camara.gov.br/bd/.

Santarém, PA, 17/1/2012. Editado em 6/5/2016.