Rebimboca da parafuseta

Imaginem que vocês precisam fazer uma pesquisa sobre um dispositivo chamado rebimboca da parafuseta. Vocês começam buscando informações na base de dados de uma instituição de fomento, ou de uma universidade… E é claro que vocês encontrarão algo lá.
O apetrecho é bem conhecido, pesquisas sobre esse dispositivo não são novas, não são inéditas; já se pesquisa sobre o assunto há algum tempo; por isso vocês, com facilidade, encontram bastante coisa. Mas, em certo repositório um tanto obscuro, topam com uma pesquisa mais ou menos recente sobre “o rebimboka do parafuzeta”…
!!!
Isso mesmo: “o rebimboka do parafuzeta”!
E pensam: “Deve ser erro de digitação da palavra-chave no banco de dados do repositório…” Mas não é só isso! O termo “rebimboka do parafuzeta” aparece já no título do trabalho acadêmico: “História, descrição e funcionamento do rebimboka do parafuzeta”.
“Um descuido com o título”, pensam vocês; “foi a pressa de cumprir o prazo de entrega”. Talvez.
Mas, ao ler o trabalho, vocês percebem que o termo “rebimboka do parafuzeta” não está só no título, pois ele é citado cerca de 150 vezes no trabalho, sempre com grafia errada e erro na flexão de gênero.
Não pode ser, não é possível! Mas é…
Não se trata de uma nova ortografia ou gramática vanguardista: a análise do trabalho demonstra que seu autor não sabe como se escreve o termo “rebimboca da parafuseta” nem sabe seu gênero gramatical: tanto “rebimboca” quanto “parafuseta” são palavras de gênero gramatical feminino.
E o trabalho passou por duas bancas, uma de qualificação e outra de defesa, tendo sido aprovado em ambas. Nenhum membro das bancas viu isso? E o orientador? Também não viu esse absurdo? Como deixaram passar uma coisa dessas?
Espero que pelo menos o histórico, a descrição e o funcionamento da rebimboca da parafuseta estejam corretos no trabalho, pois no que diz respeito à gramática e à ortografia…

Autor: Júlio César Pedrosa

Santarém, Pará, Brasil.

8 comentários em “Rebimboca da parafuseta”

  1. É cara, os erros crassos em português estão em todo lugar……….como formiga, se espalham em verdadeiras colônias………..e, como as formigas da cozinha, precisam ser controlados…………mas……….e se o trabalho for bom?………se nosso amigo alterou os paradigmas da “rebimboka do parafuzeta”, e estabeleceu uma comunicação efetiva com o leitor, afinal, localizamos o trabalho nas buscas, o mesmo alcançou seu público (os interessados em rebimbocas)…………enfim, qual o peso deste erro crasso (para o pesquisador, a banca, o orientador, o leitor)?

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      1. Ok, uma alegoria………no qual apenas estou refletindo sobre………….o contraponto que coloco, é que o conteúdo é superior a linguagem empregada…………entendo que um trabalho possa ter escandalosos erros gramaticais, mas o que a pesquisa diz é mais relevante que os erros……………..não quero dizer que a gramática é irrelevante, e sim que não é determinante em uma análise……………..em muitos casos, superestimada………….

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      2. Entendo o que você diz. Seja como for, temos aqui uma alegoria: a publicação existe, mas o termo em questão é outro. Não posso opinar sobre o conteúdo do trabalho acadêmico que me serviu de inspiração (se a pesquisa atingiu o objetivo), mas posso garantir que esse não é o único problema de gramática ou redação naquele texto, que é péssimo, muito mal escrito e cheio de erros. Não sei se uma pessoa que escreve tão mal, com tantas dificuldades de redação e domínio incompleto da norma culta, tem condições de fazer uma boa pesquisa e pôr seus resultados no papel. E os trabalhos acadêmicos, assim como os demais textos científicos, precisam estar redigidos numa linguagem formal, culta, precisa, direta; escrever ciência não é a mesma coisa que escrever literatura, ainda que muito texto científico tenha sua poesia. 😉

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      3. “Não sei se uma pessoa que escreve tão mal, com tantas dificuldades de redação e domínio incompleto da norma culta, tem condições de fazer uma boa pesquisa e pôr seus resultados no papel.” –> Eu sei, tem. A ciência tem alguns exemplos, que viraram até filme, como Srinivasa Ramanujan………o que não vem ao caso……..abordaria a questão partindo de outro ponto: quantas pessoas que escrevem bem e apresentam bom domínio da norma culta, não tem a capacidade de superar essas questões para encontrar a tese dentro de um modelo que não os seus?

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      4. Acho que esse trabalho também tem seu valor científico……..gramática e estrutura não são determinantes……….um trabalho científico deve se guiar por metodologia e aplicação da mesma……..colocado isso, o resto pode ser relativizado se os objetivos forem atingidos (comprovação, ou não, de uma hipótese)………..

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