Esperando marido

Sempre houve certo desprezo (e ainda o há) contra as áreas de humanidades: dizia-se, em outros tempos, que as ciências sociais em nada contribuíam com a sociedade, pois não “salvavam vidas” nos hospitais, não ajudavam a abrir estradas, não melhoravam a produção rural nem davam formação para as carreiras do Estado.

E no âmbito das próprias ciências sociais, os cursos da área de letras eram os mais desprestigiados, até execrados: devido à grande presença de mulheres, eram chamados de “faculdades espera-marido”, porquanto alguns diziam que serviam apenas para dar formação às mulheres, sem que necessariamente entrassem no mercado de trabalho – como no filme O Sorriso de Mona Lisa.

Mas parece que as coisas mudaram.

Nossa atual primeira da classe no quesito “bela, recatada e do lar” é formada em DIREITO…

Santarém, PA, 25/4/2016.

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Língua materna ou língua-mãe?

Erro – e grave, parece-me – é traduzir a locução inglesa mother tongue como LÍNGUA-MÃE. A tradução correta é LÍNGUA MATERNA ou PRIMEIRA LÍNGUA.

Explico-me.

LÍNGUA-MÃE é aquela que deu origem a outras línguas, como é o caso do latim em relação às línguas que dele evoluíram: português, castelhano/espanhol, catalão, francês, italiano, romeno, rético, galego etc.

Já LÍNGUA MATERNA é aquela à qual somos expostos desde que nascemos, língua em cujo ambiente crescemos, língua por meio da qual se desenvolve em nós a faculdade da linguagem. É a primeira língua que cada um de nós aprende. No meu caso – junto com mais uns 240 milhões de pessoas – a língua materna é o português.

Num documentário exibido na TV Escola – sobre países africanos e asiáticos que tentam fortalecer suas línguas maternas em face do avanço do inglês – tal erro de tradução de mother tongue se repete várias vezes.

A confusão entre ambos os termos é mais um exemplo de que estamos formando tradutores que não dominam a própria língua.

Santarém, PA, 25/4/2016.

Dicionário Caldas Aulete disponível na Internet

Aulete_DigitalO Dicionário Caldas Aulete, um dos mais importantes e conceituados dicionários de língua portuguesa, está disponível para consulta gratuita na Internet. Trata-se de uma iniciativa da editora Lexikon, que o atualizou e digitalizou.

Idealizado pelo português Francisco Júlio de Caldas Aulete (1826-1878), sua primeira edição saiu em 1881, três anos após a morte do autor, graças a António Lopes dos Santos Valente (1839-1896), que deu prosseguimento ao trabalho de Aulete, pondo em prática o plano traçado por ele. O dicionário foi reeditado, com acréscimos, em 1925 e 1948.

No Brasil, o Caldas Aulete ou simplesmente Aulete, como ficou mais conhecido, foi lançado pela editora Delta, em 5 volumes, em 1958, e reeditado em 1964, 1971, 1974, 1980 e 1987, sucessivamente atualizado e ampliado por Hamílcar Garcia.

Recentemente a editora Lexikon lançou um Minidicionário Caldas Aulete em versão impressa, além de edições infanto-juvenis ilustradas com personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo e da Turma do Cocoricó.

O Aulete Digital apresenta, entre outros recursos, muitos exemplos de uso dos termos definidos, conjugação completa de verbos, pronúncia de muitas palavras, possibilidade de imprimir páginas, além do texto do último acordo ortográfico de nossa língua.

A versão digital do Dicionário Caldas Aulete está disponível no sítio http://www.auletedigital.com.br.

Santarém, PA, 4/1/2012. Editado em 18/4/2016.