A tradição universitária do preconceito

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Em sua obra Educación y Lucha de Clases, o psicólogo e professor argentino Aníbal Ponce cita o seguinte trecho de August Messer sobre os estudantes das universidades medievais:

Um hino da época, de caráter blasfemo, muito popular entre os estudantes ingleses, ressalta muito claramente o caráter da classe a que pertencia o estudante medieval:
Deus, tu que hás criado os camponeses para servirem aos cavaleiros e aos estudantes, que puseste em nós ódio a eles, deixa-nos viver às expensas do seu trabalho, aproveitar de suas mulheres e matá-los por fim; pelo nosso senhor Baco, que bebe e levanta o seu copo, pelos séculos dos séculos, amém.

PONCE, Aníbal. Educação e Luta de Classes. Trad. José Severo de Camargo Pereira. São Paulo: Fulgor, 1962.

Qualquer semelhança com as práticas violentas e discriminatórias de estudantes de conceituadas universidades brasileiras atuais não será mera coincidência; é tradição de longa data.

Aliás, para quem gosta de manter tradições, este é um prato cheio.

Já eu penso que tradições, principalmente deste tipo, devem ser quebradas. Uma sociedade ou instituição que resiste a mudanças, sob a alegação de conservar tradições, acaba por manter-se esclerosada e rançosa.

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