Bem-vindos a Santarém e Alter do Chão!

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Foto de Júlio César Pedrosa, 31/12/2014.

Pichação em muro do antigo Estádio Municipal, Av. São Sebastião, perto da esquina com a Tr. Turiano Meira, Santarém, PA:

Srs. turistas, seu dinheiro traz o progresso, mas a sujeira deixada por vocês tira a beleza de nosso paraíso…! Alter do Chão!

Que mais se pode dizer? Bem-vindos a Santarém!

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Surfe e cia.

Um brasileiro venceu o campeonato mundial de surfe, título inédito para o Brasil. Uns vão dizer que esse título vale muito; outros dirão que não é tão importante assim.

O importante mesmo é lembrar que a palavra surfe se grafa com E no final, como muitas palavras inglesas adaptadas ao português: clube, turfe, esporte, bife; além disso, vários esportes têm seus nomes ingleses adaptados ao português: voleibol, basquetebol, beisebol, futebol, handebol, rúgbi etc.

Quanto à pronúncia, não há segredos; estas palavras, ainda que sejam de origem estrangeira e recente, pronunciam-se como as demais palavras portuguesas de estrutura semelhante.

Rastro de corno

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“Rhyton”, ríton, arte minoica, século XVI a.C. Museu Arqueológico de Heráclion, Creta, Grécia.

IAGO – Eu, zombando de vós? Não, pelo céu. Como homem, suportai vosso destino.
OTELO – O homem de chifres é animal, é monstro.
(W. Shakespeare, Otelo, tradução de Carlos Alberto Nunes)

Certa vez, andando pela Av. São Sebastião, em Santarém, PA, ouvi uma locução que até então eu desconhecia. Um ônibus com defeito estava parado no meio da pista, nas proximidades de um ponto de fiscalização; um fiscal atravessou a rua e gritou para o motorista do ônibus quebrado:

– Pisaste em rastro de corno?
– Pois é, bem na hora de voltar para casa…

Parece tratar-se de frase feita. Eu não a tinha ouvido antes; talvez seja típica do Pará, ou apenas de Santarém. É mais uma criação léxico-sintática de nossa gente. A língua é uma e a mesma, mas o uso e a criatividade de nosso povo variam muuuuito neste Brasilzão quase sem fim!

É isto… Tomem cuidado, pois parece que, segunda a sabedoria popular, dá azar topar por aí com um – ou com seu rastro!

Da indigência da gramática

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Há mais de 1.600 anos o poeta grego Paladas de Alexandria já homenageava os professores, principalmente os de gramática:

“A cólera de Aquiles foi motivo, para mim também,
de funesta pobreza ao me tornar gramático.
Prouvera com os gregos me matasse aquela cólera antes
que me arruinasse a amarga fome da gramática.
No entanto, para que Agamemnon raptasse Briseida e Páris
roubasse Helena, foi que me fiz indigente.

PALADAS de Alexandria. Epigramas. Tradução de José Paulo Paes. São Paulo: Nova Alexandria, 1992.

Se você é professor e se sente explorado, menosprezado, humilhado em sua profissão, saiba que está em muito boa companhia…